A Recuperação da cirurgia

Ficamos em estado de êxtase em saber que a cirurgia havia sido um sucesso e nossa mãe estava fora de perigo. 

Logo em seguida ela foi transferida para a ala do 2º estágio e pudemos visitá-la.
E para a nossa surpresa, ao apontarmos no início do corredor ela já estava com os olhos bem abertos e acompanhava a nossa aproximação... totalmente lúcida!

Ao chegarmos ao seu leito, ela nos olhava nos olhos, algo que já não acontecia desde a sua internação. E começou a conversar conosco como se nada tivesse acontecido. 

Muito emocionada começou a chorar e agradecer por estarmos ali. Percebemos também que ao falar, ela também gesticulava e movimentava os braços e pernas. Perfeita!

Na verdade, nós que precisávamos agradecer a Deus por ter sido tão misericordioso e trago nossa mãe praticamente intacta diante de tantas previsões ruins.

Os dias se passaram e a sua recuperação e estado físico só melhoravam, para surpresa de todos!

Ao final de oito dias ela estava apta a ir para casa e continuar o tratamento perto da família.



Do inferno ao céu

A notícia do tumor cerebral pegou a todos de surpresa!
E o tamanho dele surpreendia mais ainda: como algo como uma laranja poderia está dentro da cabeça de uma pessoa?



Ao mesmo tempo que o desespero tomava conta, a revolta ao lembrar do diagnostico "negligente" de depressão fornecido pelos médicos anteriores crescia proporcionalmente.

Depois do mundo desabar sobre nossas cabeças, não adiantava culpar ninguém, tínhamos que agir e buscar o máximo de informação possível.
Infelizmente, quanto mais sabíamos, mais se parecia grave, ainda mais pelo tom nada otimista dos médicos.

O que inicialmente foi dado como lesão, edema ou tumor cerebral, foi ganhando nome e grau! E aos poucos foi incorporado ao nosso vocabulário naturalmente: o Glioblastoma Multiforme, grau IV. Ou "carinhosamente" apelidado de GBM.

Em posse dos laudos e imagens, nos mobilizamos para encontrar os melhores recursos disponíveis para o tratamento e, principalmente, a cirurgia. Decidimos tirá-la do hospital em Anápolis e transferi-la para o Hospital de Base em Brasília, pois segundo parentes e amigos era referência em Neurocirurgia.

Contudo, o quadro dela só piorava. Mesmo sendo medicada o edema só aumentava e seus movimentos e estado de consciência se deterioravam a cada dia.
Já dependia completamente de cuidados para alimentar-se, virar-se na cama, trocar as fraldas, etc.

Os próprios médicos já não acreditavam em chance de recuperação ou sobrevida. Alguns já se antecipavam a fornecer prazo de vida. Acredite, nada mais de um ano!
Para um filho ouvir isso é difícil, acredite! 
Pensávamos como um cara que foi preparado para preservar a vida, podia falar tão naturalmente da morte.

E a pouca chance de sobrevida foi critério para jogá-la para o final da lista de prioridade para a cirurgia, sob a alegação que outros poderiam ter mais benefícios que ela.

Estranho para nós, que somos comerciantes e empresários termos que negociar justamente com a vida de nossa mãe e barganhar com médicos em prol dela.

Foi justamente quando achávamos que tudo estava perdido que abriu-se uma porta de luz: uma pessoa muito querida nos pediu para mostrar os exames para a equipe do Hospital Sarah e, assim, verificar a possibilidade de ela ser tratada lá.

Em poucos dias recebemos uma ligação confirmando a sua consulta no Sarah. Fomos recebidos pelo Dr. Ricardo, um caro super humano que sensibilizou-se e não se baseou unicamente no diagnostico da doença, enchendo nossos corações de esperança, enfim.

Todos os exames necessários foram feitos e no dia 31/10 às 12h ela entrou na sala de cirurgia. Foram mais de 9 horas até que tivéssemos a primeira informação sobre o estado de saúde dela.
O próprio Dr. Ricardo nos atendeu com uma aparência exausta, mas serena. 
Não deixou de sinalizar a complexidade da cirurgia e ali mesmo em pé no corredor repetiu o que já havia falado anteriormente: "o que ela perdeu (o movimento do lado esquerdo) não volta!" 
Depois de tantos progonísticos desanimadores, naquele momento a unica coisa que importava era que ela estava viva!














GBM: A Descoberta

Muitas vezes a vida nos prega uma peça!
No inicio não sabemos o motivo de certas coisas acontecerem.
Mas após a turbulência inicial, conseguimos refletir e analisar todos os fatos; assimilar melhor a situação e, principalmente, tirar um propósito até dos piores momentos.

A doença:

Tudo aconteceu muito rápido!
Minha mãe sempre foi muito ativa e envolvida na empresa, igreja, família, etc.
Um mês antes da descoberta da doença, havia viajado para Recife onde cumpriu uma semana com agenda de pregação e visitas a amigos.

De lá, foi para Porto Seguro onde aconteceu o aniversário de dois anos de sua neta.
Retornou a Brasília após mais de uma semana agitada, com voos, decolagens e destinos diferentes.
No inicio de outubro de 2013, os filhos e funcionários começaram a perceber atitudes estranhas, como esquecimentos, falta de apetite, tonturas, enxaqueca e náuseas. 

Ela sempre foi uma pessoa que buscou se mostrar forte, guerreira, que não dependia de homem, nem ninguém. E para doenças não era diferente. Apesar da cólica e insonia sempre serem seus companheiros fieis, nunca se queixava de dores ou pedia para alguém acompanhá-la ao médico. Nem por isso deixava de fazer exames laboratoriais e acompanhamento com ginecologista.

E desta vez também não foi diferente. Mesmo ela percebendo que algo estava diferente, não quis transparecer o problema. (Hoje sabemos que ela foi anestesiada aos poucos!)

Infelizmente a doença não pede para chegar!
Quando identificamos que algo mais sério estava acontecendo, levamos-a um hospital particular de Brasília para fazer os exames necessários. Isto foi numa segunda-feira, dia 14/10. 
Lá ela foi atendida por um clínico geral, que solicitou coleta de sangue, urina e um eletroencefalograma.
Nada anormal e o médico se antecipou a diagnosticá-la com um quadro de "depressão".

Saímos de lá intrigados com o laudo médico. Não tínhamos caso de depressão na família e minha mãe nunca demonstrou sintomas depressivos. Em algum momento começamos a nos culpar por termos saído de casa para morar com companheiras e esposas e deixamos nossa mãe sozinha em uma casa enorme. Um dos irmãos, se prontificou a levá-la para sua casa até que fizéssemos outros exames e procurássemos um especialista.

Contudo, a doença estava avançando e antes que pudêssemos agir, na sexta-feira 18/10 nossa mãe apresentou uma piora significativa. Voltamos ao mesmo hospital, onde fomos atendidos por outro médico, que repetiu os mesmos exames e nada encontrou novamente. Apenas o mesmo diagnóstico: depressão!

Entretanto, dessa vez não aceitamos essa resposta simplesmente e questionamos se algo neurológico, como acidente vascular, aneurisma poderia estar correlacionado. O médico sustentou sua tese e ainda não satisfeito sugeriu que passássemos uns dias "relax" com ela.

Outro irmão que mora em Anápolis propôs passar o final de semana no apartamento de Caldas Novas.
Foram eles, mas em estado de alerta! No sábado foi tudo bem: ela brincou com a neta, almoçou e dormiu cedo. Mas no domingo pela manhã, ela não tinha forças sequer para levantar seu corpo da cama. Voltaram todos para Anápolis e o médico da família de sua nora, indicou um neurologista, que rapidamente desmontou o quadro de depressão e pediu exames específicos para comprovar a suspeita: tumor cerebral.



Na ressonância magnética, a lesão media cerca de 7,6 cm de largura, com presença de uma neoplasia sugestiva de um glioma cerebral.





Diná Soares

Diná Soares
Presente para Deus

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