Tratamento da Alma

No geral, o tratamento quimioterápico não está sendo difícil, apesar de estar perto de finalizá-lo, ainda apresenta algumas reações adversas. Acabei engordando mais de 10 quilos devido os corticóides, e não posso fazer atividades físicas, nem regimes rigorosos, já que nutrientes básicos para resistir o bombardeio da quimio, e também não posso fazer nada no cabelo que está nascendo grosso e os fios brancos insistem em aparecer, rs! Nada de pintura até o final do tratamento... Isto para quem sempre foi vaidosa e independente é bastante complicado. Hoje me vejo mais dependente dos filhos, principalmente na semana da quimio e para tomar as injeções diárias. Contudo, não entrego os pontos facilmente, continuo dirigindo, fazendo compras de supermercado e alguns afazeres de casa, além de toda sexta-feira ir à escola para orientar alguns alunos e dirigir um culto que conduzo há 4 anos, que levantei este altar para Deus, pois achei importante.
Só estou esperando o término do tratamento para começar a viajar dando testemunho e fazendo a obra como o Senhor quer. Ultimamente, tenho aceitado algumas agendas só em Brasília e na igreja que estou congregando, já que encontro-me impossibilitada de ausentar-me por muito tempo entre um ciclo e outro.
Enjôo quase o mês todo e fazer obra de qualquer jeito para Deus não faço; para Ele temos que dá o melhor. Porém, nunca murmuro e nem questiono o porquê de tudo que está acontecendo comigo, pois sei que o Nosso Pai só nos dá uma cruz se pudermos  carregar, pois Ele conhece a nossa estrutura.Quando estava deletada, mas ligada com Deus, me mostrou um por um os meus 6 irmãos, e me perguntava: “Filha você acha que este ou esta teria estrutura ou agüentaria estar no seu lugar?” Então pude entender que foi única escolhida por Deus no ventre da minha mãe, segundo ela, quando teve o 1º encontro com Ele, disse que, esta que carrega é minha , vai confundir o homem, quebrar protocolo e fazer a diferença! E por essas e outras, é que a vida nunca me poupou nada, nunca foi e jamais será fácil para mim. Algumas vezes em que me afastei do Senhor, sofri muito. Mas logo corria para os braços Dele e me redimia. Hoje estou vivendo na Sua dispensação.  Hoje tenho mais tempo para fazer o ide. Sempre prego que não tenho feito nada em agradecimento por ter recebido minha vida entre os mortos e sem seqüelas. Quando o nosso Deus decide nos abençoar, não dá nada pela metade: ou dá tudo ou não dá nada. Não existe benção pela metade! Como poderia viajar aos 4 cantos dessa terra, dando testemunho do que Deus fez em minha vida, em uma cadeira de rodas ou muletas, arrastando um lado e sem memória? De jeito nenhum isto aconteceria, milagre é milagre, e não queira entender, apenas se vive. Precisei passar por tudo isso para poder ajudar pessoas que não passaram nem 10% do que aconteceu comigo e ficam revoltados, murmurando e questionando com Deus, e também para o seu nome ser glorificado. E para pessoas com pouca ou nada de fé, que puderam vivenciar e acompanhar minha trajetória, sendo agraciados pela ação de Deus em minha  recuperação, tiveram a fé aumentada.



A fé é tudo na vida do ser humano e quem esteve nos dias que antecederam minha cirurgia foi quem Deus permitiu. Hoje tenho notado que a fé dessas pessoas é outra e muitas vidas têm mudado. Hoje pensam e agem diferentes. É com esta minha fé que quero poder ajudar e ganhar almas nessa terra para Cristo. E quem me conhece realmente, sabe que vivo o que prego e prego o que vivo, e não conto história de ninguém e sim minhas próprias experiências que não são poucas. Onisciente, onipotente, onipresente é o nosso Deus. Ele pode ler os nossos pensamentos, por isso quando tiver algum sonho, desejo e tiver medo que o satanás descubra ou ouça, só converse em pensamento ou com gemidos, já que Ele é único que tem o poder para isso e que pode nos ajudar, sem interesse algum e jamais irá nos cobrar. 
Então, se precisar de qualquer ajuda, lembre de Deus. Ele só espera você pedir, pois está pronto para te socorrer, seja no que for e, lembre, o possível é nossa obrigação fazer, e o impossível cabe a Deus. Só peça ajuda ao Senhor, se não puder fazer. Nos meus momentos difíceis, convido-O para sentar ao meu lado, onde choro, confesso e peço perdão dos meus pecados, e só assim peço-Lhe ajuda, pois o impossível deixo para Ele, e sempre tenho resposta. Só me humilho e obedeço à Ele, e só tive ressurreição, porque tinha crédito com Deus, pois nos últimos anos obedecia sempre mesmo contra a minha vontade.
E é esta fé que quero passar a todos que puder alcançar...

Tratamento do Corpo

Mais ou menos 3 meses antes dos acontecimentos, Deus usou um pastor de Boston, um porto-riquenho que pastoreia a mesma igreja há 17 anos. Na época estavam no Brasil com uma comitiva em missão e, por telefone, me disse que tinha um recado de Deus para me entregar. Com sua tradutora, disse que não ia demorar muito, iria viajar os quatro cantos dessa terra, dando um grande testemunho por meio de um documentário que iria fazer, entre várias outras coisas. E foi logo embora; e após fui ouvindo outros profetas que só confirmava tudo.
Contudo, nem imaginava o que seria. Enfim este era o quadro, e tudo aconteceu muito rápido, onde o primeiro sintoma foi a perda da memória, fortes dores de cabeça e tontura, Primeiramente, começaram alguns formigamentos do lado esquerdo, e logo instalou-se uma hemiplegia do mesmo lado. Em poucos dias, já não possuía mais sustentação de tronco e o controle de esfíncteres, apresentando a incontinência urinária, ou seja, fazia tudo na roupa. Isto foi relatado pelos meus filhos, pois perdi totalmente a memória desse período.
Após receber alguns previsões desanimadoras por parte de alguns médicos, fui encaminhada ao Hospital SARAH para fazer a cirurgia, pois meu caso foi considerado de muita importância para a equipe médica, já que era um desafio para eles. A equipe era grande, tendo em vista a gravidade do quadro e, segundo outros médicos, tinha poucas chances de sobrevida e, caso vivesse, ficaria com muitas seqüelas.
Enfim, fui totalmente anestesiada por Deus durante todo tempo, principalmente para não ouvir as aberrações que os médicos falavam ao meu respeito. Para quem conhece a Rede SARAH, é um dos hospitais mais procurados e renomados da América Latina.
A minha cirurgia teria que ser feita neste hospital, porque Deus já me aguardava naquele centro cirúrgico. E quando entrei, O vi com meus 3 filhos. Eles reunidos, me confortava, porque já fazia alguns meses que estavam em pé de guerra, onde o Satanás usava-os para me atingir. Eu tinha pedido para Deus que não queria vê-los assim; esta situação estava me deixando muito triste, sendo que a desunião deles não era algo comum .
Então, lá estavam os 3 com Deus; e Ele me dizia: “os seus filhos estão aqui unidos como me pediu” - até as roupas que usavam pude descrever quando saí do coma. satanás também estava lá, pois achava que eu estaria sem nenhuma proteção, ou seja, sozinha!



Foi quando percebeu que os seus planos seriam frustrados pela presença do Senhor e começou a gritar, dizendo que eu deveria morrer, esbravejando o quanto me odiava desde o ventre de minha mãe - os detalhes de todo este ódio contra minha vida, conto em outra oportunidade. Como sabemos, até para nos tocar, ele tem que pedir permissão para Deus: um exemplo é a história de Jó, onde não cai uma folha de uma árvore que não seja da permissão do nosso Pai.
Não se dando por vencido, tentou uma de suas trapaças e mostrou para a equipe de cirurgiões uma herpes contagiosa que havia contraído na internação pelos vários hospitais que passei e, realmente eu estava, mas também estava com Deus que sempre dá a última palavra, suspendeu sim, porém por pouco tempo, em torno de 1 hora. Na ocasião e em pensamento, falei com Ele: “Senhor estou em suas mãos, se vivo ou se morro, dependo de Ti”. Haja vista, decidiram por fazê-la e, mais uma vez o satanás perdeu. Eu sempre fui muito ligada com meu Pai. E sentia que conduzia as mãos da equipe com vários anjos ao redor da mesa, e ouvia uma voz sempre me chamando e eu perguntava: “Está terminando? Já acabou?”.
Deus realmente confundiu a medicina para me dá vida. Depois de mais de 9 horas de operação, alguém bate no meu braço me chamando pelo meu nome dizendo: “Já acabou”, e perguntei: “Estou viva?”. A pessoa respondeu: “Sim vivíssima!”.
Saí consciente e totalmente lúcida, conversando, sem precisar ser entubada, nem mesmo ir para UTI. Já havia recuperado tudo que havia perdido. E as primeiras pessoas que vi, foram os meus três filhos e relatei a eles que os via com Deus no centro cirúrgico, chorava, ria, Perguntei a um dos meus filhos como estava o meu cabelo, ao mesmo tempo que movimentava os membros, que antes estavam sem movimentos, e fixava o olhar, que também não tinha. O meu mais velho, muito assustado, me disse “Mãe você está viva!” e eu disse “Porque? Eu tinha que está morta?”. Até então não sabia de nada que havia acontecido comigo. Como disse antes, fui anestesiada por Deus. Ele sabia que precisava me poupar de tudo. Os outros 2 me pediam para movimentar pernas e braços, e movimentava normalmente, eles estavam em choque. Só descobri o que realmente aconteceu comigo na manhã seguinte. No 2º estágio, onde fiquei, vi uma cadeira de rodas escrito a palavra “Oncologia”. Pensei “O que esta cadeira está fazendo aqui?” Então perguntei a uma enfermeira e ela respondeu que o andar onde estava era da oncologia, foi quando “caiu a ficha”, mas não sabia ainda quão grave era o tumor.



Alguém já viu falar de um paciente que acabou de fazer este tipo de cirurgia, já tomar café da manhã? Pois tomei e foi o melhor café da manhã de todos os tempos, já havia vários dias que não me alimentava, ou não me lembrava, rs!

Nesta mesma manhã, o médico chefe da equipe, Dr. Ricardo, chegou cedo para me ver, não olhava diretamente para mim, e sim para o meu estado. Pude notar que, ele não estava acreditando no que via. Logo depois veio outro médico e mais outro, me faziam perguntas e mais perguntas, e assim foi por toda semana que permaneci internada. Fizeram-me de objeto de estudo, com todo tipo de exames, testes, etc. Fiquei conhecida do subsolo até o 6º andar: “a mulher que chegou carregada no colo pelos filhos, inconsciente, sem fala e sai uma semana depois andando”. 

Sempre que Dr. Ricardo ia ao meu leito, perguntava “Você acredita em milagre?” Ele dizia “Claro que sim, depois do que vi” e mencionava para todos da equipe sempre que tinha chance que Deus estava lá com anjos, direcionando as mãos deles para que eu tivesse vida e, principalmente, sem seqüelas.
Não tendo mais o porquê de me manterem no hospital, me deram alta. Mas, antes mesmo me organizar os meus pertences, chegou uma médica no andar que eu nunca havia visto por lá. Foi até o meu leito e disse que tinha sido um engano e que eu não iria sair naquele dia e precisava ligar para o médico. Deus já havia me falado que eu iria sair na sexta andando, para provar que Ele é o nosso Deus. Vocês sabem que o diabo tenta nos entristecer, frustrar os nossos sonhos o tempo todo, e não seria diferente comigo. Procurei não me desanimar. Orei e mais tarde ela voltou com a desculpa das injeções que precisava providenciar para que eu tivesse alta. Liguei imediatamente para o meu filho e contei-lhe o que estava acontecendo e pedi as injeções para trombose. Ele chegou cedinho lá, pegou o relatório que a assistente do hospital havia feito para solicitação das injeções. 



A trombose foi devido eu ter ficado muito tempo sem andar, comprometendo a circulação sanguínea. Enfim tive alta naquele dia e desde então continuo tomando as injeções que são aplicadas na barriga há quase um ano. Somente quando a barriga fica muito dolorida, as tomo na perna. O tratamento contra trombose é necessário para prevenir possível embulia pulmonar durante o processo quimiterápico.  Deus disse-me que vida tinha me dado, agora seria com a medicina humana, sendo assim, preciso aceitar e obedecê-los. Ainda sou submetida a uma grande quantidade de remédios: anti-convulsionante, corticóides para edema cerebral, para pneumonia, para enjôos, náuseas, quimio, trombose, exames de sangue todos os meses para dosagem e controle da quimioterapia.
Devido às características agressivas do tumor, o tratamento é mais prolongado, em torno de 12 meses, onde iniciei com 30 sessões de radioterapia, simultaneamente com o Temodal. Terminado a radio, iniciei os ciclos mensais da quimioterapia com 120mg do Temodal. Hoje está em 265mg e aumentará até chegar a 300mg em janeiro de 2015.
Todo mês sou atendida por uma equipe de oncologia, compostos por 6 médicos, e todo mês os exames se repetem para avaliar a minha condição. Nos primeiros meses, me internava para fazer o uso da quimio, mas de uns 4 meses para cá, pedi aos médicos para fazer em casa para evitar algum contagio, tendo em vista que estou com baixa imunidade e não ficar exposta com outros pacientes. 

Diná Soares

Diná Soares
Presente para Deus

Colaboradores